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Realidade Plena - Ano I - numero III

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Combatentes do Gueto - Heróicos Soldados Poloneses - Israel Blajberg
Coluna Blajberg
Combatentes do Gueto - Heróicos Soldados Poloneses


Israel Blajberg (*)


A Banda do Batalhão de Guardas executa solenemente os Hinos Nacionais da Polônia e do Brasil, a medida em que as bandeiras sobem aos mastros, diante do belo Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial no Aterro do Flamengo, pelas mãos do Comandante Militar do Leste, General Manuel Valdevez de Castro, e do Embaixador da Polônia, Jacek Hinz.

Há 84 anos, neste mesmo 15 de agosto a Polônia se libertava do domínio russo na batalha que passou a história como o Milagre do Vistula, sob o comando do Marechal Pilsudski (Guerra Russo-Polonesa, 1919-1921), e que a partir de então veio a ser comemorado todo ano como o Dia do Soldado Polonês.

Pátria que trouxe ao mundo personalidades do quilate de Frederic Chopin, Maria Sklodowska, Nikolau Kopérnik, Adam Mickiewicz e Karol Wojtyla, país sofrido, de história repleta de lutas, novamente sucumbiria em 1º. / set / 1939, diante da blitzkrieg.

Cinco anos depois, em 1º / ago / 1944, o Levante de Varsóvia tanto sangue custaria à nação polonesa, sinalizando o início do fim do domínio nazista. Mas as tropas soviéticas às portas de Varsóvia não ajudaram, deixando os alemães arrazarem a capital.

Passados 60 anos, na mesma Varsóvia reconstruída a data foi lembrada diante de governantes alemães, ingleses, franceses, e do General Collin Powell.

Assim como os brasileiros, soldados poloneses também lutaram na Itália, onde na epopéia de Monte Casino ajudaram a abrir o caminho para a Cidade Eterna, Roma.

Todo ano a Stowarzyszenie Polskich Kombatantow, Associação dos Ex-Combatentes Poloneses, manda rezar uma missa na Igreja Polonesa, pequena e aconchegante na Rua Marquês de Abrantes. A memória de lutas da nação polonesa permanece viva no mundo inteiro, onde existir um Soldado Polonês, este dia será lembrado. Seja na Polônia, no Iraque, ou no Brasil, ouvir-se-ão os acordes do belo Hino Nacional polonês neste dia de recordação.

Duas fileiras de marinheiros em uniforme branco formam a guarda de honra para a entrada das bandeiras das associações dos ex-combatentes: Veteranos da FEB, Poloneses, Ingleses, Belgas, Franceses.

Old Soldiers Never Die ... dos mais de 60 membros que haviam nos bons tempos, apenas uma meia-dúzia de antigos soldados poloneses comparece, ostentando orgulhosamente as medalhas e a boina. O dia 15 de agosto ficou na história como o Dia do Soldado Polonês, recordando o Milagre do Vistula.

Dos americanos, nem foi possível que um dos ex-combatentes comparecesse para ser o porta-bandeira, ficando ausente da cerimônia o seu pavilhão.

A solenidade no Monumento é aberta com o discurso do Gen Castro, vertido pari passu ao polonês pelo Gen Sebastião Peçanha, brilhante soldado, que diligentemente aprendeu a língua em apenas 4 meses, para tornar-se o primeiro Adido Militar em Varsóvia (1989-1991).

Durante a guerra, a Polônia abrigou matadouros, onde a tecnologia nazista extraía dos animais a serem abatidos tudo que era possível. Numa sala, só cabelos, na outra, gordura animal para fazer sabão, em outras óculos, sapatos, roupas.

Mas ... animais não usam óculos, nem roupas e sapatos ...

Não, não se trata de ficção. Tais matadouros não se destinavam a bois.

Assim como no tocante poema de Drummond, não eram animais, era gente ...

Como foi possível a povos supostamente civilizados praticar tantas barbaridades, fanaticamente planejadas por bandos de psicopatas?

Hitler não morreu. Apenas mudou de nome. Como bem dizia Balzac a história se repete. Os novos nazistas, não dispondo da mesma alta tecnologia, pouco mais podem fazer do que deblaterar, correr pelas ruas, ou se suicidar matando inocentes.

Na predica, o Padre Pretorial Zdzislaw Malczewski recordou “... centenas de nossos irmãos judeus sucumbiram no Gueto de Varsóvia em 1943...”

O Levante do Gueto durou mais tempo que a resistência de tantos países europeus aos exércitos hitlerianos, derrotados em poucos dias pela máquina militar nazista.

Foram 27 dias desafiando a máquina militar alemã, com a roupa do corpo e quase sem armas. Hoje, às portas do Kibbutz dos Lutadores do Gueto, as portas do Deserto do Neguev, em Israel, a estátua de Mordechai (Marcos) ainda ergue o braço desafiadoramente aos céus, simbolizando eternamente a resistência de um povo.

Como tantos compatriotas que seguiam a Lei de Moisés, ele foi um Soldado Polonês. Os lares judaicos da Polônia deram ao Exército de Pilsudski uma quantidade impressionante de soldados.

Como acontece em muitas famílias judaicas, antigas fotos mostram aqueles valorosos antepassados, como Boruch Langier, Z"L, envergando a farda da Cavalaria Polonesa, soldado das tropas que deram combate ao ocupante russo.

Como integrante da Nobre Arma Ligeira, o estandarte branco e vermelho tremulava na ponta da sua lança, obedecendo fielmente aos comandos de "...Mais uma carga, camaradas !! "

Até que nos idos de 1925 foi preciso partir, deixando para trás 1000 anos de Judaísmo Polonês, em busca da terra abençoada, o Brasil, que acolheu nossa família, e mais 800 mil poloneses que hoje formam a segunda maior comunidade polonesa do mundo.

Portanto, nada mais justo que o Dia do Soldado Polonês renda uma homenagem também aqueles lutadores da ZOB – Zydowska Organizacja Bojowa – Organização Judaica Combatente. Embora não vestissem a farda, eram Soldados Poloneses, como tantos que deram suas vidas para salvar a Polônia, a um custo particularmente elevado para os Judeus em todas as guerras.

Jovens sonhadores enlouquecidos pela esperança, que sob o comando de Mordechai Anilewicz, 23 anos, os primeiros que tiveram o destemor de enfrentar a máquina nazista, no que seriam seguidos um ano depois pelos demais habitantes de Varsóvia, aqueles que não estavam confinados ao gueto, tendo armas e mantimentos a disposição, no heróico Levante de Varsóvia.



Mordechai Anielewicz (1919-1943) Comandante da ZOB durante o Levante do Gueto de Varsóvia. Morto em combate em 8 de Maio de 1943.




Todo ano relembramos o Levante do Gueto, iniciado aos 19 de abril de 1943. Dois dias depois, no mesmo mês de abril em que se comemora esta epopéia, no 21 de abril recordamos igualmente o nosso grande Herói Tiradentes. “Os homens livres são irmãos”, assim encerrou o seu discurso o Major, representante dos Ex-Combatentes poloneses.

Hoje, graças ao desprendimento daqueles grandes patriotas libertários, e de todos soldados das nações que combateram na Europa em defesa da democracia, somos todos livres, todos irmãos.

Nada mais justo que a MEDALHA CRUZ DO MÉRITO DOS EX-COMBATENTES POLONESES tenha sido concedida pelo Conselho Mundial dos Ex-Combatentes Poloneses a nossos patrícios (**).

Um dia, justiça seja feita, confiamos em que neste mesmo Monumento a memória daqueles Soldados do Gueto também seja lembrada em um dia 19 do mês de abril.

Em lugar de medalhas, que seja plantada uma árvore diante do belo Monumento, em homenagem não só aos combatentes do gueto, mas aos nossos pracinhas, porque lutaram pelos mesmos ideais.

Em polonês fluente, o General Peçanha canta o Hino Nacional da Polônia, acompanhado pela Banda de Música. A cerimônia vai terminando.

Contemplando os últimos 6 ex-combatentes descendo lentamente as escadarias do monumento, não podemos deixar de refletir sobre a tragédia da guerra.

Que sejam eles os últimos.

Que nunca mais existam ex-combatentes, jamais se construam outros monumentos.

Não mais solenidades para comemorar vitórias, conceder medalhas ...

Paz, Shalom, Salaam, Peace, Paix, Pokoju ...


(*) Israel Blajberg, brasileiro nato de 1a. geração, aborda a herança judaico-polonesa, a nacionalidade brasileira e outras estórias.

iblaj@esg.br, iblaj@bndes.gov.br
iblaj@telecom.uff.br
www.telecom.uff.br/labredes.htm

(**) - Agraciados

Gen Ex Manuel Valdevez Castro, Cmt CML

Cel Cav Jose Roberto Marques Frazao - Adm MNMIIGM, Dipl CAEPE

Charles Van Holden, Ex - combatentes Bélgica

Cel Sergio Gomes Pereira, Pres. ANVFEB

Gen Bda Int Sebastião Peçanha, Dir Auditoria Ex

Ten Brig-Ar Jose Américo dos Santos, Dir DECEA

VA Carlos Augusto Vasconcelos Saraiva Ribeiro, ComemChEsq

Alain Mirabe Valion, Excombatentes Franca

Cel Rubens Leite Andrade, Ass Ex-Comb Br


Publicado Anteriormente  em : http://www.israel3.com/article277.html

fonte : http://www.israel3.com

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